Vo Lice (189)

Na academia de Mestre João Grande
Uma prece a santa escrava na parede eu contemplei
"Rogai por nos, sob teu manto de graça
Afastai de nos os males,maldizer e ameaca

Oi, vo lice, não me pegue não,
não me pegue,não me agarre,
não me pegue não!

Pois essa prece, não me saiu do pensamento
Foi historias do passado que um dia eu ouvi
De Vo Alice, vizinha que me criou
Me levava com seus contos pro tempo do cativeiro

Oi, vo lice, não me pegue não,
não me pegue,não me agarre,
não me pegue não!

Minha vo preta, na varanda da sua casa
Dali contava historias para toda a criançada
Tinha o respeito e toda adimiração
Gente jovem e os mais velhos
Paravam no seu portão

Oi, vo lice, não me pegue não,
não me pegue,não me agarre,
não me pegue não!

Ela contava, la em Moji Guacu
Da negra Anastacia,princesa de Bantus
Foi castigada, amordacada por dizer
Que não era uma escrava, que isso não e viver

Oi, vo lice, não me pegue não,
não me pegue,não me agarre,
não me pegue não!

Foi por voce que despertou em meu coração
Essa grande simpatia pelo negro, nosso irmão
E hoje em dia, eu pratico a capoeira
E ajudo a preservar essa arte brasileira

Oi, vo lice, não me pegue não,
não me pegue,não me agarre,
não me pegue não!